Comissão terá foco na atuação de milícias e facções criminosas em todo o país; decisão ocorre após operação policial no Rio com mais de 100 prisões e 119 mortos.
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), confirmou que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado será instalada na próxima terça-feira, 4 de novembro, em Brasília. A medida, segundo ele, foi definida em entendimento com o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do requerimento de criação da CPI.
Em publicação nas redes sociais, Alcolumbre afirmou que o objetivo da comissão é investigar a estruturação, a expansão e o funcionamento do crime organizado, com ênfase na atuação de milícias e facções.
“É hora de enfrentar esses grupos criminosos com a união de todas as instituições do Estado brasileiro, assegurando a proteção da população diante da violência que ameaça o país”, destacou o presidente do Senado.
A criação da CPI ocorre em um momento de forte mobilização das forças de segurança após a megaoperação conjunta das Polícias Militar e Civil nos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, realizada na última terça-feira (28). A ação resultou em mais de 100 prisões e 119 mortos, segundo dados do governo estadual, e reacendeu o debate sobre as estratégias de enfrentamento ao crime organizado no país.
A comissão será composta por 11 senadores titulares e sete suplentes, com prazo inicial de 120 dias para atuação. O grupo deverá apurar o modo de operação das organizações criminosas, as condições que favorecem sua expansão e propor soluções legislativas para o enfrentamento da violência e da corrupção associadas ao tráfico e às milícias.
Debate político e divergências
A decisão de instalar a CPI também gerou reações no meio político. O líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), criticou o governo federal, afirmando que o Palácio do Planalto não teria atendido aos pedidos do governo do Rio de Janeiro em apoio à operação. Segundo Marinho, a PEC da Segurança (PEC 18/2025) — proposta apresentada em abril e ainda em tramitação na Câmara dos Deputados — não resolverá o problema da violência.
“O que está acontecendo no Rio de Janeiro é uma ponta de iceberg. Lamentamos a letalidade, mas imaginar que se chegará a territórios dominados para prender líderes é uma ilusão”, afirmou o senador.
Já o senador Izalci Lucas (PL-DF) apontou a ausência de uma política nacional sólida de segurança pública.
“O tráfico está tomando conta por falta de política pública. O governo quer criar uma polícia deles, e isso é perigoso”, declarou.
Em contraponto, parlamentares da base governista defenderam a importância de fortalecer o papel do Estado no enfrentamento da violência. A senadora Teresa Leitão (PT-PE) classificou a operação do Rio como “a mais letal da história” e defendeu a aprovação urgente da PEC da Segurança, argumentando que “a vida e a segurança devem ser interesse de todos, e o terror jamais pode ser banalizado”.
O senador Humberto Costa (PT-PE) também se manifestou, criticando o que chamou de “falha de gestão” do governo fluminense.
“A população do Rio não pode ser refém de um terror que se disfarça de combate ao crime. Enquanto a segurança colapsa, o governo estadual se esconde em discursos políticos”, afirmou.
A expectativa é que os trabalhos da CPI resultem em propostas concretas de combate ao crime organizado, incluindo aperfeiçoamentos na legislação penal e na cooperação entre os órgãos de segurança pública.
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