Wilson Lima propõe ao governo federal que considere o “custo amazônico” nos recursos do SUS para o estado

Wilson Lima propõe ao governo federal que considere o “custo amazônico” nos recursos do SUS para o estado
Fotos: Arquivo/Secom/SES-AM

O governador Wilson Lima está liderando um movimento nacional pela revisão do modelo de financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), defendendo que o Amazonas receba tratamento diferenciado por parte do governo federal. A proposta busca incluir o chamado “custo amazônico” — a realidade logística, geográfica e social única da região — nos critérios de repasse dos recursos da saúde.

A discussão ganhou força durante a visita de representantes do Ministério da Saúde (MS) e do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) a Manaus, onde conheceram projetos de referência do estado, como o Barco Hospital São João XXIII, a UTI Aérea e o programa de Telessaúde (Saúde AM Digital). Apesar de seu impacto social e eficiência comprovada, essas iniciativas ainda não são consideradas no atual modelo de financiamento do SUS.

O Amazonas precisa ser reconhecido como uma região estratégica na saúde pública nacional. Defendo um novo pacto federativo que fortaleça os estados da Amazônia e garanta recursos compatíveis com o custo real de operar na floresta”, afirmou o governador.

Segundo a secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud, o custo médio de uma ação básica de saúde no Amazonas pode ser até três vezes maior do que em estados do Sudeste, devido às longas distâncias, ao transporte fluvial e aéreo e às variações do regime de cheias e vazantes. “As políticas nacionais ainda são desenhadas para o Centro-Sul. Aqui, a logística é outra, e o financiamento precisa refletir essa diferença”, explicou.

Entre as experiências apresentadas, o Barco Hospital São João XXIII oferece atendimento médico e cirúrgico em comunidades ribeirinhas e é mantido com recursos estaduais e doações. Já o Saúde AM Digital, com 92 telessalas em 36 municípios, realiza consultas em 17 especialidades por videoconferência, eliminando a necessidade de deslocamentos longos.

Outro destaque é o serviço de UTI Aérea do Amazonas, considerado o segundo maior do mundo, com oito aeronaves e uma central de regulação médica 24h. O sistema salva vidas diariamente em locais de difícil acesso e reduz índices de mortalidade materna.

O governador também apresentou ao MS o modelo de regulação integrada de saúde do estado, que conecta unidades da capital e do interior por sistemas digitais, permitindo controle em tempo real do fluxo de pacientes.

Segundo o 2º vice-presidente estadual do União Brasil, Marcellus Campêlo, o Amazonas se consolida como referência nacional em inovação na gestão pública da saúde. “O desafio agora é fazer com que o país reconheça esse esforço e invista de forma proporcional à complexidade da região”, ressaltou.

Com 62 municípios e mais de 1,5 milhão de km², o Amazonas demonstra que é possível oferecer saúde de qualidade na floresta, mas com um custo que precisa ser reconhecido e compensado.

Fotos: Arquivo/Secom/SES-AM
Fonte: Assessoria de Imprensa União Brasil Amazonas

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