Uso de medicamentos para dormir sem orientação médica pode causar dependência e afetar a memória, alerta psiquiatra da Afya

Especialista destaca que automedicação e uso prolongado de substâncias sedativas podem prejudicar o sono e causar danos cognitivos

Dormir bem é essencial para a saúde física e mental, mas o caminho para uma boa noite de sono tem levado muitas pessoas à automedicação. Segundo levantamento da plataforma Timelens, houve um aumento de 1.450% nas buscas na internet por “remédios para dormir sem receita” nos últimos cinco anos. O dado preocupa especialistas, que alertam para os riscos de dependência e comprometimento da memória.

De acordo com o psiquiatra Luiz Henrique, professor de pós-graduação da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manaus, os medicamentos usados para induzir o sono atuam diretamente nos neurotransmissores responsáveis pelo ciclo sono-vigília.

“Essas substâncias bloqueiam a ação da histamina, que tem efeito estimulante no cérebro, e aumentam a atividade do Gaba, neurotransmissor que reduz a atividade cerebral. Assim, produzem o efeito sedativo que leva ao sono”, explica o especialista.

O médico reforça, contudo, que o uso contínuo desses medicamentos pode trazer sérios prejuízos. “Entre os efeitos mais comuns estão a dependência química, a perda de memória e concentração, alterações de humor e até a piora do próprio sono. O tratamento da insônia precisa ser conduzido por um profissional qualificado, que avalie as causas e indique o tratamento adequado”, adverte Luiz Henrique.

O psiquiatra também chama atenção para o uso indiscriminado de substâncias consideradas “naturais”.

“Fitoterápicos como Passiflora incarnata e Valeriana officinalis têm efeito calmante leve, mas não tratam casos graves ou insônias associadas a transtornos psiquiátricos. Mesmo esses produtos exigem cuidado e acompanhamento médico”, completa.

Antes de recorrer a medicamentos, Luiz Henrique recomenda mudanças simples na rotina: manter horários regulares para dormir e acordar, evitar cafeína e telas à noite, reduzir a iluminação e praticar atividades relaxantes, como leitura ou música suave.

“Esses hábitos são fundamentais para restaurar o sono de forma natural. Caso os problemas persistam, é essencial procurar orientação médica”, conclui o psiquiatra.