Um servidor público federal do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) foi preso em flagrante na madrugada do dia 24 de dezembro de 2025, em Manaus, suspeito de agredir a própria esposa durante uma confraternização familiar. O investigado é Gustavo Frederico Boerger, coordenador da Superintendência do DNIT no Amazonas.
O caso foi registrado na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM) – Plantão dos Vulneráveis, e enquadrado como lesão corporal dolosa no contexto de violência doméstica, nos termos do artigo 129, §9º, do Código Penal, com aplicação da Lei Maria da Penha.
A vítima é Vânia Lucia Boerger, de 61 anos, com quem o investigado convive há cerca de 40 anos.
Prisão em flagrante e medidas judiciais
De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada e conduziu os envolvidos à delegacia. Diante da situação, Gustavo Frederico Boerger foi preso em flagrante.
Após audiência de custódia realizada na Central de Plantão Criminal do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), o Judiciário concedeu liberdade provisória ao investigado, substituindo a prisão por medidas cautelares, com base no artigo 319 do Código de Processo Penal.
Também foram deferidas medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha, entre elas:
- Proibição de aproximação da vítima e de familiares, com distância mínima de 300 metros;
- Afastamento do agressor do convívio com a vítima;
- Proibição de qualquer tipo de contato, inclusive por meios eletrônicos;
- Proibição de frequentar a residência e o local de trabalho da vítima.
O magistrado destacou a existência de indícios do crime, mas considerou que, neste momento, as medidas impostas seriam suficientes para o acompanhamento do caso, alertando que o descumprimento poderá resultar em nova prisão.
Exame de corpo de delito confirmou lesões
No mesmo dia dos fatos, Vânia foi submetida a exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). A requisição pericial confirma a ocorrência de lesão corporal decorrente de violência doméstica, com emissão de laudo preliminar, que será complementado por laudo definitivo.
Imagens cedidas pela família mostram a vítima com lesões visíveis no rosto, braços e mãos, além de registros feitos em ambiente hospitalar, reforçando a informação de que ela buscou atendimento médico imediatamente após as agressões.
Relato da vítima
Em vídeo gravado após o ocorrido, Vânia relatou em primeira pessoa os momentos de violência, afirmando que foi agredida pelo marido e pela cunhada.
“Eu fui espancada pelo meu marido, junto com a irmã dele. Eu escapei por pouco porque consegui ir até o interfone da minha cozinha e pedir socorro à portaria, para que chamassem a polícia. Saí dali e voltei para o quarto, onde continuaram as pancadas”, declarou.
Ainda segundo o relato, a chegada da polícia foi decisiva para que ela conseguisse sobreviver.
“Eu sou mais uma vítima, mas não fatal. Com a graça de Deus, eu consegui me livrar. A polícia chegou a tempo, mas, se não fosse isso, hoje eu não estaria aqui para contar o que aconteceu comigo”, afirmou.
Filha afirma que mãe deixou Manaus por medo
Renata Boerger, filha de Vânia Lucia Boerger e Gustavo Frederico Boerger, afirmou que a mãe não está mais em Manaus, por temer pela própria segurança após os episódios de violência.
“Ela não está em Manaus. Está fora da cidade porque está com muito medo”, afirmou Renata.
A filha relatou ainda supostas intimidações ocorridas após a prisão, incluindo a ida de pessoas ao local que se apresentaram como policiais.
“Teve um dia em que ele mandou pessoas que diziam ser policiais para buscar o carro, junto com uma advogada. Isso deixou todo mundo com muito medo”, disse.
Renata também informou que há vídeos gravados no momento da chegada da polícia ao local, feitos, segundo ela, pelo porteiro do condomínio.
“No primeiro vídeo, ela ainda está em pé. Nos outros, ela aparece no chão, porque a irmã dele empurrou ela na frente dos policiais”, relatou.
De acordo com a filha, Vânia foi levada ao hospital no mesmo dia das agressões, onde passou por exames.
“Ela foi ao hospital, fez raio-X e foi constatado que o dedo estava quebrado. Além disso, ela estava com hematomas pelo corpo inteiro”, afirmou.
Imagens cedidas pela família mostram a vítima com lesões visíveis no rosto, braços e mãos, além de registros feitos em ambiente hospitalar.




Histórico e participação de familiar
No boletim de ocorrência, a vítima informou que não se trataria de um episódio isolado, mencionando histórico de agressões anteriores ao longo do relacionamento.
Ela também relatou que, durante o episódio da véspera de Natal, a irmã do investigado, sua cunhada, teria participado das agressões físicas, inclusive empurrando-a ao chão. Um registro policial específico foi feito em relação a essa conduta. Até o momento, não há informação de prisão ou decisão judicial envolvendo a cunhada.
Versão do investigado
Em depoimento à polícia, Gustavo Frederico Boerger negou ter agredido fisicamente a esposa. Ele alegou que a discussão teria começado por ciúmes e afirmou que apenas teria se defendido, empurrando a vítima para se desvencilhar, negando agressões intencionais.
Caso segue em investigação
O caso segue sob investigação da Polícia Civil do Amazonas, com acompanhamento do Judiciário.







