Equipamentos beneficiarão pescadores do Careiro da Várzea, ampliando autonomia e reduzindo impactos ambientais na navegação ribeirinha
Cerca de 60 famílias do Careiro da Várzea, município situado a 25 quilômetros de Manaus, receberam motores elétricos para equipar as rabetas utilizadas nas atividades de pesca e transporte. A iniciativa integra o Projeto Pixundé, promovido pela empresa Livoltek em parceria com o Instituto Somar Amazônia, com apoio da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), e visa estimular práticas sustentáveis e ampliar a eficiência energética na navegação ribeirinha.
O pescador Adagilson Oliveira, com mais de três décadas de experiência na pesca local, celebrou a substituição do motor a combustível pelo modelo elétrico.
“A pesca é quase um jogo: um dia você ganha, no outro não. Quando precisamos gastar com gasolina, muitas vezes já começamos perdendo. Com o motor elétrico, a economia é grande. Se Deus quiser, vamos ter uma melhoria na vida. Isso vai ajudar muito para conseguirmos sustentar a família”, destacou.

A pescadora amazonense Gilmara Bandeira também foi contemplada com um dos equipamentos. Segundo ela, a mudança representa um alívio significativo no orçamento familiar.
“Com a rabeta, eu gasto muito com dinheiro para colocar gasolina e agora eu vou economizar bastante para conseguir ir pescar. Agora não vou precisar mais gastar com gasolina. Agora estou animada para aprender a usar o motor elétrico”, comemorou.
A ação integra uma etapa de teste tecnológico do Projeto Pixundé, inspirado no peixe elétrico amazônico. Durante seis meses, os pescadores irão avaliar o desempenho dos motores no uso cotidiano, contribuindo com informações essenciais para aprimorar a tecnologia. O objetivo é reduzir custos operacionais, incentivar o uso de fontes limpas e renováveis e melhorar a qualidade de vida das comunidades que dependem da pesca.
Para o diretor do Instituto Somar Amazônia, Orsine Júnior, o projeto representa um marco rumo à transformação da mobilidade nos meios de transporte ribeirinhos. Segundo ele, a solução se destaca por ser sustentável, de menor custo operacional e com baixa demanda de manutenção.
“O motor elétrico vai trazer uma economia de pelo menos um salário mínimo por mês às famílias dos pescadores. Ele não vai mais gastar com manutenção e combustível fóssil. Em breve, a Livoltek irá produzir os motores no Distrito Industrial de Manaus, então será feito do Amazônida para o Amazônida, gerando emprego e renda”, afirmou.
O gerente da Livoltek em Manaus, Márcio Sousa, ressaltou o papel essencial dos pescadores na validação técnica dos equipamentos.
“Em um período de 6 meses, vamos envolver 60 pescadores. A ideia é trazer um feedback e um conceito de todos os pescadores para que a gente consiga ainda mais melhorar cada vez mais o projeto de motor da Livoltek”, explicou.
Atualmente importados da China, os motores elétricos usados no Pixundé são pioneiros no Amazonas e representam um avanço significativo para a transição energética no estado. A fabricação no Polo Industrial de Manaus está prevista para começar em 2026, ampliando a autonomia tecnológica e gerando novas oportunidades econômicas.
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