Justiça determina remoção de vídeos que expõem mulher em crise de saúde mental após ação da Defensoria do AM

Justiça determina remoção de vídeos que expõem mulher em crise de saúde mental após ação da Defensoria do AM
Foto: Divulgação

A Justiça do Amazonas determinou, neste sábado (31), a retirada imediata de vídeos que expõem uma mulher em crise de saúde mental nas redes sociais. A decisão liminar atende a um pedido da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) e obriga a Meta, controladora do Instagram e do Facebook, a remover o conteúdo no prazo de 24 horas, além de implementar mecanismos para impedir sua republicação.

A medida foi concedida pelo juiz plantonista Mateus Guedes Rios, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), que acolheu integralmente os argumentos apresentados pela Defensoria. A plataforma deverá tornar indisponíveis todos os registros audiovisuais da entrevista realizada na última sexta-feira (30) e aplicar tecnologias de detecção automática para barrar novas postagens com o mesmo material.

A decisão estabelece multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento, limitada a R$ 100 mil.

O pedido judicial foi formulado pelo defensor público Arlindo Gonçalves, coordenador do Núcleo de Defesa da Saúde (Nudesa) e do Núcleo Digital, e pela defensora pública Caroline Braz, coordenadora do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem). Os dois já haviam emitido recomendações a órgãos públicos e entidades jornalísticas para conter a circulação do material.

A DPE-AM argumenta que a publicação dos vídeos configura violação de direitos da personalidade, como imagem, intimidade, honra e dignidade, garantidos pela Constituição Federal e pelo Código Civil. Segundo a instituição, a exposição de pessoas em situação de grave sofrimento psíquico não atende ao interesse público e representa uma forma de sensacionalismo que se perpetua a cada nova reprodução do conteúdo.