Ginecologista da Afya explica os benefícios do antibiótico DoxiPEP, no combate à sífilis

Ginecologista da Afya explica os benefícios do antibiótico DoxiPEP, no combate à sífilis

O combate às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) ganhou um novo capítulo com o avanço dos estudos sobre o DoxiPEP, antibiótico usado após relações sexuais desprotegidas, que já vem sendo chamado de “pílula do dia seguinte” contra a sífilis.

O medicamento, que ainda está em fase de análise pelo Ministério da Saúde (MS), também mostrou benefícios no combate à clamídia e gonorreia. Caso seja aprovado pelo MS, o medicamento será incorporado no Sistema Único de Saúde (SUS).

No Amazonas, de acordo com dados da Fundação de Vigilância em Saúde Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), foram registrados de janeiro a agosto deste ano, 2.244 novos casos de sífilis. Carauari é o município com maior número de notificações, com 98 caos. Em Manacapuru foram registrados 36 casos e em Itacoatiara 31. Os casos da doença aumentaram 6,3% em 2024, em relação ao ano anterior.

Segundo a médica Zélia Campos, preceptora da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru, o DoxiPEP deve ser utilizado em até 72 horas após a relação sexual de risco. “Recomenda-se tomar dois comprimidos de 100 mg de doxiciclina, de preferência nas primeiras 24 horas. O medicamento diminui o risco de contrair infecções bacterianas de maior prevalência, como sífilis, clamídia e, em menor proporção, a gonorreia”, afirma.

Enquanto o medicamento é estudado pelo Ministério da Saúde, a ginecologista reforça que já existem métodos disponíveis no SUS, mas no combate ao HIV, como a PrEP (profilaxia pré-exposição) e a PEP (profilaxia pós-exposição). Além disso, ela destaca que é importante o uso da camisinha, pois é a forma mais segura de prevenção contra as IST´s.

“Um risco importante que precisa ser reforçado é que, se a pessoa tiver a falsa sensação de segurança ao usar a DoxiPEP e não usar preservativo, pode ser contaminada por outras IST’s e até mesmo o HIV”, adverte a ginecolista da Afya Manacapuru.

Zélia Campos ressalta, ainda, os resultados positivos de outros métodos contraceptivos como a PrEP, na redução de novos casos de HIV. “O aumento no número de pessoas usando PrEP tem reduzido a infecção pelo vírus e aumentado o diagnóstico de pessoas com HIV positivo, já que para utilizar essa profilaxia é preciso realizar o teste antes. Com isso, os óbitos por Aids diminuíram e o Brasil já alcançou a meta da Organização das Nações Unidas (ONU) de eliminar a Aids como problema de saúde pública até 2030”, explica.

Além dos medicamentos, a médica lembra que vacinas para hepatite A, B e HPV, ações de educação em saúde, testagem regular e diagnóstico precoce são fundamentais na prevenção. “As estratégias devem ser amplas e levar em conta questões culturais, sociais e estruturais. O estigma da sífilis ainda é uma barreira importante, mas pesquisas com autotestes de sífilis e HIV podem ajudar a quebrar esse obstáculo”, afirma.

Sobre a Sífilis

A sífilis é uma IST curável e pode apresentar várias manifestações clínicas e diferentes estágios, como sífilis primária, secundária, latente e terciária. Nos estágios primário e secundário da infecção, a possibilidade de transmissão é maior. A sífilis pode ser transmitida por relação sexual sem camisinha com uma pessoa infectada ou para a criança durante a gestação ou parto.

A infecção por sífilis pode colocar em risco não apenas a saúde do adulto. Na gestação, por exemplo, pode apresentar consequências severas, como abortamento, prematuridade, natimortalidade, manifestações congênitas precoces ou tardias e morte do recém-nascido.

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