A Câmara Municipal de Manaus (CMM) recebeu, nesta quarta-feira (3 de dezembro), o casal Joyce e Bruno Freitas, pais do pequeno Benício Xavier de Freitas, de seis anos, que morreu após receber uma dosagem incorreta de adrenalina durante atendimento entre os dias 23 e 24 de novembro em um hospital particular da capital. O pedido de fala foi apresentado pelo vereador João Paulo Janjão (Agir) e aprovado pela Mesa Diretora e pelos demais parlamentares. Na tribuna, os pais relataram o ocorrido e pediram apoio da Casa Legislativa para assegurar justiça.
Em sua manifestação, o pai de Benício descreveu a dor da família e reforçou o apelo por mudanças estruturais:
“Nenhuma mãe leva seu filho ao hospital para morrer; nenhum pai entrega seu filho a profissionais esperando que ele volte morto. Senhores vereadores, por favor, criem mecanismos, aperfeiçoem protocolos, organizem sistemas. O que nós queremos é o que qualquer mãe e pai desejaria: garantir que nenhuma criança seja vítima de um erro tão básico, tão evitável e tão devastador”, afirmou Bruno Freitas.
Após o relato, parlamentares expressaram solidariedade e se colocaram à disposição da família. O vereador Professor Samuel (PSD) destacou o impacto da perda. “Eu quero me solidarizar com vocês e toda a sua família, além de toda a sociedade de Manaus que se sensibilizou com essa tragédia, porque nós sabemos que houve uma falha. Digo a vocês que estou emanado na causa e tudo que eu puder fazer para abrandar a sua dor, contem comigo”, declarou.
O vereador Sérgio Baré (PRD) também se pronunciou. “Como pai, externo a minha solidariedade, deixando bem claro que, neste momento, não há lados; há apenas pessoas feridas, vidas machucadas e pais que precisam de cuidado. O que vocês buscam hoje é justiça, é reparação de danos, mesmo que nada disso vá reparar a sua perda”, afirmou.

O caso envolve a entrada de Benício no Hospital Santa Júlia no dia 22 de novembro, apresentando tosse seca e suspeita de laringite após episódios de febre. A família informou que a médica responsável prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, com 3 ml a cada 30 minutos. A administração ficou sob responsabilidade de uma técnica de enfermagem. Pouco depois das aplicações, o menino apresentou piora repentina, com palidez, extremidades arroxeadas e saturação em torno de 75%. Ele foi levado à sala vermelha e, por volta das 23h, foi entubado na UTI.
Segundo o pai, o procedimento desencadeou seis paradas cardíacas consecutivas. Apesar das tentativas de reanimação, Benício não resistiu e morreu às 2h55 do dia 23 de novembro.
Fotos: Cleuton Silva e Eder França/Dicom
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