BR-319: pavimentação reacende alerta sobre desmatamento e põe em risco meta climática do Brasil na COP30

BR-319: pavimentação reacende alerta sobre desmatamento e põe em risco meta climática do Brasil na COP30
Foto: Orlando K Junior - OBR 319

Às vésperas da conferência climática mundial, pesquisadores e organizações socioambientais alertam que a obra pode acelerar a perda florestal em uma das áreas mais sensíveis da Amazônia.

A pavimentação da BR-319, rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO) ao longo de mais de 880 quilômetros, vem sendo apontada por especialistas como um dos principais fatores que podem comprometer a meta brasileira de desmatamento ilegal zero até 2030. A discussão ganha centralidade às vésperas da COP30, que será realizada em novembro de 2025, em Belém (PA), reforçando o debate sobre os rumos da política ambiental do país.

Estudos recentes de institutos de pesquisa nacionais indicam que a pavimentação da estrada pode desencadear um novo ciclo de avanço sobre a floresta, principalmente devido à abertura de ramais formais e clandestinos que se estendem a partir da rodovia. Esse processo tende a estimular a exploração madeireira seletiva, a especulação fundiária e a conversão rápida de áreas florestais em pastagens e monoculturas. A região de influência da BR-319 abrange dezenas de Unidades de Conservação, Terras Indígenas e assentamentos rurais, colocando em risco ecossistemas essenciais e a segurança territorial de povos e comunidades tradicionais.

Pesquisadores apontam que a área situada entre os rios Purus e Madeira — uma das mais preservadas da Amazônia e estratégica para o equilíbrio climático do país — concentra elevados estoques de carbono que regulam o regime de chuvas no Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste. A redução da cobertura florestal nessa região pode intensificar secas prolongadas, aumentar incêndios e alterar padrões climáticos já em transformação.

Ao mesmo tempo, o governo federal busca conciliar a obra com compromissos climáticos internacionais e pressões políticas regionais favoráveis à pavimentação. Em 2023, o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) foi retomado, resultando em queda dos índices de desmatamento. Entretanto, o avanço da BR-319 coloca em evidência a necessidade de medidas robustas de fiscalização, ordenamento territorial e garantia de proteção das populações tradicionais.

Sem mecanismos eficazes de controle, a pavimentação corre o risco de se tornar catalisadora de um processo de degradação irreversível, fragilizando a credibilidade do país no cenário internacional e comprometendo metas climáticas consideradas fundamentais para o futuro da Amazônia e do planeta.

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