Decisão ocorre após deterioração financeira, rejeição de tentativas de venda e prisão de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal
O Banco Central decretou, nesta terça-feira (18), a liquidação extrajudicial do Banco Master e estabeleceu administração especial temporária por 120 dias, encerrando definitivamente as atividades da instituição no sistema financeiro nacional. A medida foi tomada um dia após a Fictor Holding apresentar proposta de compra e dois meses depois da negativa do BC à aquisição pelo Banco de Brasília (BRB). O empresário Daniel Vorcaro, controlador do conglomerado, foi preso na segunda-feira (17) durante a Operação Compliance Zero.
Segundo o ofício assinado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, a intervenção foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, aliado à deterioração de liquidez, ao descumprimento de normas bancárias e à desobediência a determinações regulatórias. Com a liquidação, a EFB Regimes Especiais de Empresas assume a condução do processo, encerrando negociações em curso.
O Banco Master já apresentava risco de insolvência em razão de estratégias de captação de alto custo e investimentos considerados arriscados, incluindo CDBs com remuneração até 40% superior à taxa básica, operações com precatórios e participações em empresas fragilizadas. Tentativas de venda foram realizadas, mas se tornaram inviáveis diante de questionamentos regulatórios, pressões políticas e menções ao banco em investigações federais.

A Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Vorcaro, investiga a emissão de títulos de crédito falsos no Sistema Financeiro Nacional. As apurações, iniciadas em 2024 a pedido do Ministério Público Federal, apontam para a possível produção de carteiras de crédito sem lastro, comercializadas a outras instituições e posteriormente substituídas por ativos sem avaliação técnica.
A proposta mais recente de compra do Banco Master havia sido apresentada pela Fictor Holding Financeira, patrocinadora do Palmeiras, que previa aporte imediato de R$ 3 bilhões, com participação de investidores dos Emirados Árabes Unidos. A operação ainda dependia da aprovação do BC e do Cade. Com a liquidação extrajudicial, qualquer negociação fica automaticamente interrompida.
Antes da Fictor, o Banco de Brasília (BRB) havia tentado adquirir o controle do Master em acordo anunciado em março. O Cade aprovou a operação em junho, e a Câmara Legislativa do Distrito Federal chegou a autorizar a compra em lei sancionada em regime de urgência. Em setembro, porém, a diretoria colegiada do Banco Central rejeitou a transação, citando ausência de documentos e falta de comprovação da viabilidade econômico-financeira do negócio. O acordo previa aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total da instituição.
🖇️Acompanhe mais notícias, bastidores da cena cultural e novidades da Amazônia no Instagram do Tucunaré 24h — informação da Amazônia, 24h por dia.








