Ato “Mulheres Vivas” mobiliza Manaus e mais de 40 cidades contra feminicídios e violência de gênero

Ato “Mulheres Vivas” mobiliza Manaus e mais de 40 cidades contra feminicídios e violência de gênero

Neste domingo (7), mulheres de Manaus e de mais de 40 cidades brasileiras irão ocupar ruas e praças em um dos maiores movimentos recentes de enfrentamento à violência de gênero no país. Em Manaus, o ato “Mulheres Vivas – Mobilização Nacional” acontece às 17h, na Praça do Congresso, com intervenções artísticas, falas públicas e atividades que reforçam a defesa do direito das mulheres de viver com liberdade, dignidade, segurança e respeito.

Organizada por coletivos, movimentos sociais e organizações feministas, a mobilização pretende romper o silêncio, denunciar a impunidade e exigir justiça diante do crescimento alarmante dos casos de feminicídio. O lema nacional “Basta de feminicídio. Queremos as mulheres vivas” destaca a urgência de políticas públicas eficazes para garantir proteção, prevenção e acolhimento diante de violências que afetam milhares de brasileiras.


Crescimento dos feminicídios e casos que comoveram o país

A mobilização ocorre após uma sequência de crimes recentes que geraram forte comoção:

  • Em Brasília, o corpo da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, de 25 anos, foi encontrado carbonizado. Um soldado de 21 anos confessou o assassinato e está preso.
  • No Rio de Janeiro, duas servidoras do Cefet-RJ foram assassinadas por um funcionário da instituição, que se suicidou em seguida.
  • Em outro caso, Tainara Souza Santos teve as pernas mutiladas após ser atropelada e arrastada por mais de um quilômetro. O motorista foi preso por tentativa de feminicídio.

Somados, os episódios evidenciam o aumento da brutalidade e a persistência da violência misógina, exigindo respostas imediatas da sociedade e das instituições.


Dados nacionais revelam um quadro alarmante

Segundo o Ministério das Mulheres, o Brasil registrou mais de 1.180 feminicídios somente em 2025. Em 2024, foram 1.459 assassinatos motivados por gênero, além de quase 3 mil atendimentos diários pelo Ligue 180, canal nacional de acolhimento e orientação.

O Mapa Nacional da Violência de Gênero ainda revela que 3,7 milhões de brasileiras sofreram ao menos um episódio de violência doméstica nos últimos 12 meses. Os números demonstram que o problema é sistêmico, estrutural e exige mobilização social permanente.


Mobilização com apoio institucional e presença nacional

O ato em Manaus conta com apoio cultural de instituições como Manauscult, Governo do Amazonas, Prefeitura de Manaus e diversas organizações sociais, que compreenderam a importância da mobilização frente ao cenário atual.

Protestos também ocorrem em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Recife, Porto Alegre, Boa Vista, entre outras capitais e municípios, tornando a manifestação uma das maiores ações feministas deste período.


Reforço do governo federal

A convocação recebeu respaldo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendeu publicamente a necessidade de um movimento nacional contra a violência de gênero, com engajamento dos homens para transformação cultural profunda.


Resistência, arte e presença feminina nas ruas

Com faixas, performances, discursos e manifestações culturais, o ato integra a agenda nacional de resistência das mulheres brasileiras, reafirmando a luta por um país onde viver sem medo seja um direito e não um privilégio.